6 de fevereiro de 2012

Amargo Novembro




O vento encostava-se às casas e adormecia

 depois viam-se os brancos ossos da noite

carregarem a insónia por debaixo da porta

nesse lençol escuro procurávamos o sublime

que resplandecia ocasionalmente quando fechávamos os olhos

e a respiração acertava os passos do coração

as mãos desfraldavam-se como nuvens no céu

não esqueças as minhas mãos

e os toscos dedos que acendiam de cor os teus cabelos

para que se visse a ternura do infinito contra o peito

nada mais era preciso que o límpido sopro

da lua desfiada pelo corpo

até que sobre o pescoço já não se erguesse do rosto

demência para sonhar

a linha do horizonte

cozida á pele

como lápide de sal

masmorra de total silêncio

o sal para tudo devastar

o silêncio para sepultar

as folha de Outono

que das árvores tristes se desprendem

nas ruas de Novembro.



1 comentário:

© Piedade Araújo Sol disse...

as mãos não esquecem nem os cabelos vão esquecer...