6 de setembro de 2012

Onde Queima o Espirito a Forma Breve




Posso encher a caneta de impossível

inebria-la um pouco

talvez a faça sonhar uma vez mais

a última vez

peço-lhe que escreva no vento

o meu nome

para que esqueça

o futuro que foi presente

um dia com a Primavera na boca

deixei o coração sobre a mesa

para que iluminasse a casa

não poderia dar-te mais

depois parti

nunca fui desse mundo eu sei

e que mundo existe para lá

do pequeno filamento que acende o sonho

que faremos no regresso da viagem

quem nos esperará para lá dos portões

e se pudermos falar

que diremos aos que não podem escutar

tenho tanto medo

de te perder

tenho tanto medo

de não poder pagar o preço

tenho tão pouca fé

por isso digo-te baixinho

para não te magoar

amo-te

gosto tanto de ti

perdoa-me se puderes

hoje estás tão bonita

e mais um barco de tolices

Impróprias para um homem da minha idade

dirão os mais avisados

que perderam a infância em devido tempo

mas eu perplexo indeciso e vagabundo

como um albatroz sobre o mar

olho de cima para tudo isto

sei que este não é o lugar

onde poderemos matar a sede

pousar o corpo

aliviar a febre e o cansaço

e ao peso da sombra

responder com ferocidade

sou possível

e como o aço da lamina

firo

sou possível

mesmo que arda irremediavelmente

serei na tua escuridão

a inquieta brancura das velas

dessa nave que floresce a cada vaga

que procura ainda na vacilante trajectória

um porto seguro

essa casa tão breve

com o orvalho a brilhar por dentro

das pálpebras do luar

e a língua

fogueira a falar

a forma demasiado humana

e plena

este poema



6 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

o teu nome
mesmo que o lance ao vento
será sempre
e só
o teu nome...

beij

Hanaé Pais disse...

E que encontre o seu porto seguro!

Hanaé Pais disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
. intemporal . disse...

.

.

. pleno tempo re.inscrito .

.

.

heretico disse...

cartas de amor são ridiculas?

não sei, não.

o poema é belíssimo.

forte abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

gosto de reler este poema...

diz tanto..