10 de abril de 2012

Luz

"Some Came Running" - Vincent Minelli


O poema


surge por vezes nas alamedas da cidade

como um pequeno sol na noite

a lua

ilumina o peito do poema

aberto ao deserto do espelho

a palavra mostra o seu o rosto encurralado

um reflexo

que paira na negra vastidão do céu

palavra nenhuma

será dita depois do derradeiro gesto

e se procuras o vento inacessível

ele não está longe

minha irmã luzente

veste a imortal beleza

o sonho que do coração

regressa á melancolia musical

que não podemos cantar

por não sabermos a mar

a esperança é sal

um demónio vascular

no silêncio despedaçado

pelo grito

um abrigo infinito

uma praça devorada por flores

para onde fores

és sempre um homem nu

despojado de sombra

uma rocha que fala

uma onda que dança

na desolação da praia

fica fundo criança

como os animais inscritos na sua crosta

a rocha mais não é que um rosto acariciado pelo tempo

um grande livro

se souberes sorrir como as estrelas

nada mais serás que um pingo de luz.

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