29 de junho de 2010

Este Coração que Escreve

Paulo Nozolino


Este coração que escreve

não é um passo afundado na garganta do esquecimento

este coração é a elipse e o trompe l`oeil

uma catedral barroca de ardente sinfonia

é a mão que embala o sangue e forma o rio da palavra

é o peixe no branco oceano

onda de papel essencial

o peixe letra talhado pela melancólica caneta

este coração que escreve

é uma máquina queimada pelo sonho

uma gota de suor na máscara do homem que pensa

a nuvem que salga o mar de azul

sendo uma constelação de água que escorre silente

é também a raiz cujo peso é somente firmamento onde 

uma borboleta de estrelas movimentando-se nos dedos

um trabalho delicado na paisagem vulcânica

bisturi sobre o corpo das palavras rebentadas no verbo

a carne dividida pelo estremecimento da voz

exclama a terra anoitecida

balança musical onde

este coração é osso crepuscular do tempo

um relógio cantante desalojado de seus ponteiros

calendário á procura do teu rosto

alastrado pela ausência.

4 comentários:

Antonio Nave disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

A beleza das palavras numa construção complexa.

... a cada instante ... disse...

Neste teu coração cabe o mundo inteiro.

Mais uma vez um texto soberbo.
Parabéns!
Já tinha saudades de te ler e de me espelhar naquilo que escreves. Gosto tanto das TUAS palavras.

Abraço.

Vieira Calado disse...

Muito bem escrito, meu caro!

Saudações poéticas