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| Luis Beltran A casa entardecia a ténue luz abria a porta à língua que movimenta-se ao longo do papel escrevia a espuma o poema onde de mãos dadas flutuávamos |
HÁ COISAS QUE SÓ SE VIVEM, OU ENTÃO, SE INSISTIRMOS EM AS DIZER, É NECESSÁRIO FAZÊ-LO EM POESIA. Pier Paolo Pasolini. Este Blogue não seguirá, por respeito à Língua Portuguesa, o designado "acordo ortográfico"
8 de junho de 2011
Fragil Paisagem
7 de junho de 2011
27 de maio de 2011
20 de maio de 2011
Junto à Praia
Junto à praia
a palavra tomava banho
o sal da sua boca dizia
a memória que a atravessava
essa luz marítima da infância
que pontificava o horizonte com ritmos de azuis e verdes
as nuvens de rosto quase humano
devoravam sílaba a sílaba o céu
lentamente imaginavam o infinito
uma alegria breve
adormecia o corpo
depois o coração
subia alguns degraus para ver o mar estoirar.
11 de maio de 2011
"Starry Night Over The Rhine" - Vincente V. G.
A pele recolhe o amor na sua fonte
a verdade segura-o com a mão aberta onde
a água entardece prodigiosamente
arde a chuva como flor na noite humana
arde a terra que é a pele do mundo
arde a palavra no dizer desse fogo
talvez a palavra
seja o sonho que voa
quando se apagam os olhos da cidade
e se escrevem milagres na paisagem
límpida e absoluta da noite.
15 de abril de 2011
Quando a Noite
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| Antony Gormley |
Quando a noite calmamente se enfurece
contra os lábios de madrugada
e cega a tudo dá com as suas luminosas mãos
o pão que espera o silêncio da boca
assim como a verdade o impede de ser outra vez seara
a voz trabalha a luz do silencio
nestas páginas que dizem
o salário mínimo dos amantes
migração dos corpos recebidos noutros corpos
como um grande país de liberdade
relâmpagos regulares acendem
a carne como uma guitarra pura
que de espuma
cintila por dentro
do coração
o mar
que através de mim
te canta.
18 de fevereiro de 2011
Aqueles Cujo Coração
foto: Josef Koudelka
Aqueles cujo coração abre e fecha
Como as flores ao toque da chuva
Poderiam ser do céu um pormenor de nuvem
Ou a sua arritmia
O vento é a transparência completa do corpo
9 de fevereiro de 2011
Pedia-se ao Corpo
Pedia-se ao corpo um deserto
para instalar o coração
ultimo reduto onde se poderiam expor
à tempestade todos os órgãos
cujos pormenores
são rajadas de lâmpadas cadentes
estremecendo como estrelas nocturnas
a treva pura incorporada na pele
onde ardiam folhas
a chuva fazia o seu ninho
e adormecia
7 de fevereiro de 2011
Montanhas
"Last Days" - Gus Van Sant
Os amigos como montanhas
cujos abraços pensamos serem a nora do nosso coração
quando á mesa cavamos o alimento para a memória
para que dela se escape um sorriso cheio de letras
desfraldadas como flores são no papel
a incandescência do poema
é sobre essas letras acesas
que se cruzam os dias apagados
e a noite com os seus dentes cravados na pele nua
seria preciso outra roupa para cobrir o corpo despido pela sua ausência.
1 de fevereiro de 2011
Lugar
"Stromboli" - Roberto Rossellini
Para corpo se contorcer em borbotões de espuma
Contra a água particularmente brilhante
Dividindo a pele suspensa no sopro da memória
e a altiva crispação das vagas
sacudindo os órgão até á extremidade da boca onde são palavras.
Para corpo se contorcer em borbotões de espuma
Contra a água particularmente brilhante
Dividindo a pele suspensa no sopro da memória
e a altiva crispação das vagas
sacudindo os órgão até á extremidade da boca onde são palavras.
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